Por mais que eu pare e analise e chegue a frustradas conclusões
Há confusão, só há em mim plena confusão, que me parece tão perene
Transitório é o meu calor, e minha graça, e minha negação
Tudo é meio efêmero mesmo que congelado em nossos ressequidos corações...
Tudo passa, mesmo que dentro de minha mais cálida memória, eu me lembre de cada palavra bem dita, bem escrita (adoro a escrita, mais ainda, do que a dialética), mesmo no meu decrepitar, no meu entardescer...
Sou a tarde, a noite, a manhã inebriada...
Cada partícula de som e de luz, mil sorrisos
Não artimanho nada, nada eu planejo e me vejo cerceada por mim mesma em meus abismos...
Nada mais me deprime, um corpo, sem existir em mim comprime, todo o despudoramento que em mim há tempos, não tão distantes, haviam...
E me desmascaro, e lá estou lânguida, e túrgida, e lasciva...
E lá estou despudorada...lá estou encolhida em meu sofá de dois lugares, bem encolhida
Recolhida, olhando as telhas cinza, vendo os pardais se aglutinarem em meu varal...
E lá estou febril em meu cobertor azul, num calor assombroso, numa chama em mim mesma...
E ela existe, eu afirmo! Persiste, eu reafirmo e está aqui, já faz parte do meu corpo...
E me confunde a cada segundo, muito mais...
Eu não nego, não relego...a cá estou...
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