Vasculhando meus papéis, andando pelos caminhos caudalosos que são meus arquivos mortos, deparei com um texto, o qual me referia a um ser de outro mundo, que de tão distante se desfez em minha mente e como um anjo, santo, ou similar se acomoda em algumas de minhas preces. Descobri que a minha solidão é a mesma que sempre me acolhe e sempre me lambe se eu preciso, decobri, ainda, que ela é a única que permanece em todos os tempos cá comigo, arraigada em meu peito, em meu pequeno ser...advirto que em determinada parte do solilóquio, lá me deparo com um tal "corpo marino" que sejam marinos todos os corpos que eu desejo, que sejam meneados esses sais, desses corpos marinos, que são marinos porque vêm da profundidade do mar abissal que é a minha solidão em mim.
Nesses nós mal atados que são minhas andanças
Pergunto-me por diversas vezes o que há de errado
Expressões retilíneas e pouco significado
Expressões oscilantes e eterno sonho conflitante
Presenciei um amor
Estive ao lado dele
E o senti pulular como o sangue fervente que jorrava em minhas veias
Eu sempre o tive distante
Sabia de suas vidas, mas não tinha seus corpos
Hoje eu não sei de sua vida, mas senti sua pulsação ao meu lado
Eu tive o corpo que sorria, que gracejava
Eu me contive, eu fiz mil poemas
Esqueci a maioriaSenti seus cabelos sedosos
E seus dentes alvos
A textura de sua pele eu apenas imaginei
Senti sua temperatura amena
E seus olhares desconfiados
Continuei a ler a vida do "Peter" (Lessing,Doris - Andando na sombra)
Aquelas letrinhas minúsculas à escuridão
Tente disfarçar o que sentes eu pensava
Mas na verdade
A única coisa que eu queria era exatamente ter o corpo
Mas não era o que me pertencia ali naquele momento
Era o corpo perpétuo e jovem
Magro e esculpido para mim
Eu pensei que sem pretensões ele inda é meu
Ou ele será meu
Ou ele se emprestará a mim
Eu olhava ao lado
E lá estava um corpo esbelto, um sorriso cálido
Em minha mente Florbela Espanca
Em minha mente o corpo marino
Essas devassidões que me acometem...
Estive pensando
Estive vendo o nó
Estive analisando o só
Que por ventura, louco
Não se prende a isto tão débil
Não se faz vítima por ser estéril
Não se deixa atormentar por ela
Não se faz olhar pela janela e ver as sombras
Do breu mais vazio
E debater consigo
E ver que teu maior inimigo
É teu próprio peito!
Eu tenho medo desse meu inimigo, uqe me faz perder entre vãos escuros e caóticos de corpos que não me pertencem, mas por excelência são meus, isso irônicamente, sardonicamente e dolorosamente, uma mentira, que de tão mentirosa eu chego a acreditar...
*Mais que isso - Ana Carólina*