23 de mar. de 2011

Carta para ninguém



São Paulo, 22 de março de 2011

É uma busca muito mais que incessante.
Não há acesso. E em tudo é nada.
Buscar em si a inteireza sem lacunas.
Estar em si com uma luz que não se apaga e ao invés de lágrimas de medo. Sorrisos pela aventura. Desventura.
Pudor. Rubor.
Minh'alma se apudora e de mim se apodera a consciência de que o que deve ser, é.
Confiança e entrega. Pontos.
Pontuação sem vírgulas.
Não há como se esquivar.
E não multidão é só mais um. Não!
Na multidão é um.
Um grande ser amado com medo.
Não do que se desconhece, mas do retorno daquilo que se conheceu demais.
Medo das águas turvas d'um passado tortuoso.
Sofrível. Embuído de drama.
E esta, talvez, ser a peça principal desse jogo.
O clamor pelo drama.
O apego a desalmados.
A tortura. Vertiginosa.
Não ser em si inteiro.
Mas projetar a completude.
O que é inteiro se completa?
Há metade quando se é inteiro?
Pode, quem sabe, haver complemento.
Em si ser tudo.
Em si ser o foco.
Em si ser a ordem.
Em si ter a si mesmo.
E ser. Existir. Para si.
E ser livre.
Então é isso.
É isso.


Ps: Tudo o que tem que ser, é, fundamentado em Bethoven, por Kundera.