29 de out. de 2005

Desejo

Retornou à quimera
Retornou ao auge do sofrimento anunciado
Retornou ao alaranjado
Seu corpo é exigente, retoma a si, há cenas tórridas
Não há definições por partes
Define o que deseja e assim passa a ser
Deseja intrepidamente pertencer
Deseja devassamente possuir
São dois corpos
São duas gentes
Ama a um e deseja
Deseja e apenasmente carne, volúpia, lascívia
Quem ama se sorri
Quem deseja, deseja
Fidelidade há
Nela consigo
Fiel à alma, ao corpo
Contradição se confunde em pensamentos
Seu corpo mais que beijo, deseja
A corpos, a laços
Deseja também não sofrer tanto
Deseja a mais que isso, quer ser visto, tocado
Quer exaurimento descompassado
Quer permitir, quer ser invadido
A mente já não anda bem
Ela deambula e separa
Deseja aos dois
Deseja invasão e invadir
Deseja freementemente a permissividade dos pagãos
Aqui não há mais nem religião
Senão devassar e exaurir
Quer mais do que órgãos comprimidos, flameja
Quer mais que a doçura, deseja
Quer pele, quer ossos, quer almas
Quer corpos, quer sacudidelas, quer embaraços
Há organismos, há gentes
Com esses seus corpos exigentes, há de terminar sozinha
Se suga, se cheira, sucumbe.
Nada mais, nunca mais, ninguém mais
Só o porto e o cais de sua paz em seus mares abissais.

23 de out. de 2005

Trizteza mórbida

Estou aqui, pode entrar
Pode adentrar, pode me despir
Pode me sugar, se interferir
Pode ferir, se for depois cuidar
Pode sair, se for depois voltar
Pode sorrir, se depois vir me dizer desculpa e abraçar
Pode pedir favores, pode mandar
Pode dizer que liga, prometo não mandar dizer que não estou
Posso ficar 5 minutos ao telefone explicando ou ouvindo explicações
Explico sobre as minhas atitudes
Ouço explicações
Pode tentar me convencer a mudar de idéia, mas advirto que serão dias de muito carinho e muita paciência comigo, mudar de idéia é difícil no meu caso.
Pode usar a minha mente
Pode entrar na minha história
Pode ter-me pessoalmente
Pode ter a minha visão de mundo
Pode deixar que eu te convença
Podemos chegar a um consenso
Deixo adentrar em meu obscuro
Deixo que me vejas com clareza
Pode se enjoar e se enojar comigo
Pode saber de meus vícios e de minha manias
Pode saber de minha dor
Pode me dar prazer
Pode lavar meu corpo e enriquecer meu ego
Pode fazer tudo o que quiser
Porque este é o meu desejo e o respeito
Porque ser assim, desta forma, a alguns é a minha vontade
O meu respeito é maior, ainda, do que a logia
Respeito o meu desejo e não raciocino
Aqui há permissividade
Permito.
Adentre.
Penetre.
Entre sem pedir licença.
Deleite-se.
Delicie-se.
Ejacule nos vãos de meus pensamentos
E goze em minha voluptuosidade
Aqui tudo é permitido.

15 de out. de 2005

É costumaz...

Ao som de "Beatriz"

Não é desejo
Não é vontade
É um respeito tremendo
Sou dona de mim e de mais ninguém, posso me conter, mas ninguém mais eu posso
Não posso obrigar a moça a me amar e me achar a 8ª maravilha...
Mas posso dizer que a escolha fica a seu critério, posso oferecer meu peito inalterado para que ela se deite e posso expor a minha opinião, posso dizer o que acho, sempre me baseando em conhecimento vivenciado, posso deixar e ouvir, posso me doar, me abandonar...
O que mais eu posso fazer é ir embora e vou! Afirmo, vou embora...
Posso também me alterar, ser feroz, ser atroz e extremamente fria...
Posso expor apenas o que sinto, sem racionalidade alguma
Posso deixar a ferida aberta p'ra qualquer um ver e pisar ou tentar sarar...
Posso fazer muitas coisas, posso pensar, posso me achar a melhor pessoa, posso tentar ser
Mas o que mais posso é me calar e deixar claro, por meu olhar, que nada me agrada
Mas, e quem não me vê? Quem não tem a sorte de olhar em meus olhos tristes e rígidos?
O que posso fazer para ser igual com eles?
O que posso fazer para ser mais enérgica? Menos pacata? Menos marasmenta?
Posso escrever, como faço agora...
Posso me calar e ficar ausente e prefiro...
Não sou falta, não quero ser falta, não quero ser motivos...
O que mais é permitido saber ao meu respeito?
Sabe um medo?
Um medo de ser o ridículo, não porque vc se considera, mas vc estima demais alguns pensares?
Sabe o que é medo? Ser o medo, mesmo na força mais forte?
Naquela força, onde vc suporta tudo? Tudo vc aguenta inalterado (a)?
Você ouve ofensas, você vê misérias, você escreve tragédias, você fala sandices...
Você sabe de tudo o que é permitido e se agrura por não poder, de um certo modo, expôr, porque você se considera dramático demais?
Conta algo e já sabe que se arrependerá depois?
Não porque você é a pior das pessoas, não! Você se considera sempre muito forte e é...
Saber do medo, não é saber o que o causa e a causa sempre é uma negativa de felicidade.
E a causa é o motivo de sua desconfiança, de sua observância demasiada em pequenos fatos...
Porque a causa, porque uma causa é a escultura de sua fraqueza...
Quem quer ser fraco ao seu estimado?
Quem quer se mostrar fraco diante de seu opressor?
Quem quer ser fraco diante do seu devaneio-dispárico? (eu inventei agora)
Quer ser a presa, quer ser o alvo, o alvo que receberá a flechada e não o afago?
Quem quer?
Qual altruista quer?
A covardia é uma acompanhante que cobra caro, ou nem cobra, ela faz o seu serviço e vc é que paga caro porque a deixou te acompanhar...
Por mais deliciosa que se apresente, mais famélica, mais divina, é recusada por mim...
E a coragem tem um caso sórdido comigo...
A gente faz loucuras de vez em quando...
Mas tenho um defeito (ainda mais um)
Mantenho outro caso estreito com o orgulho e nos enlaçamos forte!
Ele tem as mãos delicadas (nada pessoal) e me invade e penetra e perpetra algum rancor...
Com este outro eu brigo mais do que "faço amor" (estou abalada, eu? usando eufemismo? Tem algo errado!), na verdade às vezes ele me violenta...é cruel e dolorido...


"Olha, será que ela é moça? Será que ela é triste? Ou será que é o contrário?
...será que é loucura? será que é cenário?
...me ensina a não andar com os pés no chão, para sempre é sempre por um triz
Diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
...e se um dia ela despencar do céu?
...e se os pagantes exigirem bis?
...e se eu pudesse entrar na sua vida?"

12 de out. de 2005

Será que ela é moça?

Visualizo o meu passar e ouvir...um som ruidoso de caminhão ao nosso lado...
Disse-lhe: "Ouça! Como é bela!!!"
Conversamos o tempo todo, mas não sabemos nada de nós...
Perguntamos a nossa opinião, mas pouco importa o que eu disser...eu digo e abaixo a vista...
Sorrimos e dançamos a música que levei, bate com a mão no volante, deixa-me esperando, manda-me ir correndo...falamos de outros eu ouço mais do que falo...
Encosto no banco, ela me olha com o olhão arregalado, sorri...
Gosto de sua irreverência, eloqüência, gosto de estar sob teu braço e receber teu carinho...
Sabe de algum devaneio de minha vida, sabe da ferida que eu mesma fiz...
Sabe de meu amigo secreto...
Disse-me: "Diga-me! Diga-me sobre a tua felicidade! A buscarei se for preciso!"
Sorrio, sorrio, sorrio...a minha felicidade está em cada segundo que passo sorrindo contigo, eu bem penso...
Ter amigos é uma virtude, eu tenho uma virtude...eu tenho um amigo...ou três...não sei ao certo...
Sinto-me feliz quando eles perguntam como eu estou, mas ao mesmo tempo tenho medo que eles saibam o que eu realmente sinto...
Fugir, fugir..correr, correr...até quando eu ficarei andando em círculos?

... e se eu pudesse entrar na sua vida...

6 de out. de 2005

Erga Omnes

Vista-se! Eu te despi!
Não te amostras, não elucidas...
Por quê tanto eufemismo?
Por quê tonto ilusionismo?
Vamos, ande! Faça amor!
Fabrique! Estou esperando!
Que mal há em fazer sexo com amor, ao invés de eufemizar tudo e fazer amor?
A dura realidade fuzila, confesso, mas eu deveria ver o lado romântico...?
“Todos os realistas são infelizes, deprimidos, empiricamente falando”.
Como encarar com romantismo tão fuzilante declaração?
O que há de mau na realidade?
O que há de ruim em ser claro e objetivo, respeitando com logismo alguns momentos em que calar vale muito mais?!
Ande meu bem! Vou dar a Luz!
Subentende-se a luz do mundo?
Que luz é essa que darei?
A frustração bateu em minha porta e foi romântico!?
Foi maravilhoso aquele em que um ser totalmente desprovido de malícia me veio confrontar: “Existe amor a primeira vista!”
Passados 20(vinte) anos, descobri o amor, passaram-se 20(vinte) anos e eu só percebi quando a vida tomou forma de morte...
Quando arde, acelera e excita é paixão, novamente bato na mesma tecla, novamente estou aqui para abrir os olhos do leitor...
Não te abras tanto, não te entregues tanto, não te denuncies! Não digas, sinta, pululante, ofegante ruído inaudível que tu mesma fazes;
Olhes em tua volta, por favor, vejas!
Súplicas te faço!
Não te despeças, não te abandones...
Ouça as batidas paulatinas de meu pulso...
Vejas que minha pele resseca
Vejas que me despi
Olhes aqui meus mamilos róseos!
Por favor, olhes, olhes aqui além de meu peito
Vejas o quanto de sangue bombeia
Sinta a taquicardia
Aproximes-te mais, invada-me atroz!
Por Deus! Não feches os olhos da mente, não feches os olhos da alma!
Vejas-me, me sintas, sucinta te vais!
Por favor, não sofras...
Não conheças o lado translúcido do muro...
Tudo dará certo, tu não sofrerás, tu não verás a luz no fim do túnel, porque nunca entrarás nele, porque tu nunca cairás...
Porque de nuvem em nuvem se chega ao céu, porque só haverá mel, já que foste criada para isto...
“Certo dia tive o imenso prazer de conhecer um rapaz que se chamava Ed (sim, é Ed mesmo, não é abreviação de outro nome), o Ed é (era) um rapaz dotado de extremo conhecimento, muito mais do que muita gente que conheci; um dia sentei ao seu lado (do ed, perdoe pela ambigüidade que gerei), peguei em sua mão, tão delicada, tão macia, conversei muito tempo com ele e perguntei como funcionava a máquina que estava sob a mesa dele, ele disse que era simples e perguntou se eu queria ver como funcionava a máquina, eu respondi positivamente, então ele começou a apertar os botões... ele fez o alfabeto, os números e também meu nome na máquina de Braille dele, sim, o Ed é (era) cego, embora isso ele nunca deixou de ver a realidade, nunca fechou os olhos da alma dele; nunca viu o sol, não sabe o que é o verde, nem o azul, nada. O Ed foi um impulso, o Ed me ensinou a ver a realidade que eu não via...”
É duro acreditar em Deus já que não O vemos, mas talvez Ele seja o Ser mais real, mais imbuído de realidade e racionalidade...
Enxergar à nossa frente, isto te peço, olhes com cautela o chão que pisas, vejas, por Deus, vejas!
Não quero teu sofrimento, jamais!
Sejas um pouco comedida...
“Os olhos são a luz da alma”
Tua alma está carregada de escuridão, porque te negas a ver a verdade.
Sorrias comigo! Deixe-me fazê-la sorrir...
Deixe-me mostrar a rela felicidade;
Deixe-me te invadir;
Deixe-me percorrer em tua mente...
Deixe-me saber teus desejos, teus anseios;
Deixe que eu mostre uma luz, uma defesa...
Deixe-me agir com leveza nessa alma voraz...
Deixe-me lamber tua decência
Deixe-me sugar tua agonia
Deixe-me devastar teu corpo e ressequir teu sono
Não me deixe cair no engano de te querer e sucumbir...

À A.F.L

2 de out. de 2005

Divagações

Por mais que eu pare e analise e chegue a frustradas conclusões
Há confusão, só há em mim plena confusão, que me parece tão perene
Transitório é o meu calor, e minha graça, e minha negação
Tudo é meio efêmero mesmo que congelado em nossos ressequidos corações...
Tudo passa, mesmo que dentro de minha mais cálida memória, eu me lembre de cada palavra bem dita, bem escrita (adoro a escrita, mais ainda, do que a dialética), mesmo no meu decrepitar, no meu entardescer...
Sou a tarde, a noite, a manhã inebriada...
Cada partícula de som e de luz, mil sorrisos
Não artimanho nada, nada eu planejo e me vejo cerceada por mim mesma em meus abismos...
Nada mais me deprime, um corpo, sem existir em mim comprime, todo o despudoramento que em mim há tempos, não tão distantes, haviam...
E me desmascaro, e lá estou lânguida, e túrgida, e lasciva...
E lá estou despudorada...lá estou encolhida em meu sofá de dois lugares, bem encolhida
Recolhida, olhando as telhas cinza, vendo os pardais se aglutinarem em meu varal...
E lá estou febril em meu cobertor azul, num calor assombroso, numa chama em mim mesma...
E ela existe, eu afirmo! Persiste, eu reafirmo e está aqui, já faz parte do meu corpo...
E me confunde a cada segundo, muito mais...
Eu não nego, não relego...a cá estou...