Bem, esta poesia é o início de uma série de confusões entre autor e leitor, pelo nível de intimidade, nota-se que o leitor não é um mero e o autor em forma stricto doa-se sem pudor ao seu estimadíssimo leitor, o que já não é nenhum segredo.
O autor
O autor deseja o desejo. Vangloria-se por ser querido. Martiriza-se por ser mal-amado.
Dentro do seu fogo fátuo, incendeia.
É isso o que autor deseja: o incêndio.
Ele chama as chamas perversas e perverte o denso gelo: queima.
Ele autua os autos de seus procedimentos: pró – cede (procede).
Dorme em berço esplendido: demora.
Ele se entrega ao bandido: rouba a cena.
Ele mesmo se acusa: o acusado.
Encurrala a tepidez sem dor: candura.
E se perde no inferno de seu fogo.
E morre ardendo no céu de sua graça: orgasmo.
O autor pede clemência e não tem mais nem pudor.
Porque a loucura ou a ausência de (in) lucidez é constante.
By Jan em 04.04.2006
Um comentário:
Quero aprender a escrever assim...Me ensina???;-)
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