Mais um relato acerca da relação amorosa, quase louca, em mais um solilóquio do pobre autor...
O leitor
O leitor mente.
Ele finge não saber a trama.
Ele vangloria o autor ao drama.
Esconde-se detrás de seu próprio medo.
Mas lê com prazer o que o autor descreve.
Ele se imagina nas fantasias do autor.
O autor é seu, numa forma stricto.
O que é legítimo procura licitude.
Vontade, confunde-se com o autor: dorme em berço esplêndido.
Demora, agora, hora, ora!
Dor é o que causa.
Mas o autor disse que extrai prazer da dor.
Prazer é o que provoca.
Afirma, confirma, firma.
O amor do prazer na dor do autor.
O fim do autor é ter o leitor.
E o leitor lê e goza do próprio gozo do autor.
Eles se entrelaçam.
Um ama escrever e o outro ama ler o que é escrito.
O sufrágio do prazer num sucinto manuscrito.
O autor escreve para que o leitor leia.
E causa tepidez e o incêndio, incendeia.
Novamente vislumbro o insano calor.
Nessa trama fascinante.
Nesse fogo faiscante.
Entre autor e leitor.
O autor já é insano que prevê os atos do leitor e vê todos os erros que in – sanamente comete.
Jan em 06.04.2006
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