2 de abr. de 2006

Passadas

Há um estágio em que o ponto de partida determina a ausência da minha própria inércia e mesmo estando novamente no começo, parece que eu ando com o mundo e embora tantas perdas não mais me sinto estacada no meio do caminho, também ando!
Explorar o desconhecido e conhecer o explorado.
Aprendi, com as perdas, a perder melhor.
Aprendi, com os erros, a errar menos e errar novo.
Im – pacientemente espero e ando. Ando esperando.
E sei o que não sei e me perco nessa douda discrepância.
Declarar o fato é essencial, declaro com objetividade, mesmo sendo amplamente subjetivo o que aprendi a fazer. Acho que nesse ínterim de perdas e contratempos aprendi a confiar e amar sem medo, apenas acho.
Concomitantemente ardo e canso.
Canso de arder.
Ardo até cansar.
A verdade absoluta, deste momento, é esta: ardo até cansar, descanso, e ardo tudo novamente como no meu próprio ciclo menstrual. E fico ardendo e cansando até quando eu não sei.
Aprendo a relevar e uso armas de um ser sozinho que se envolve numa casca com medo de se machucar. Mesmo assim machuco, porque a minha própria natureza me obriga e me doar, nasci para ser minha e dos outros e dou o que, por ora, é o que tenho a dar.
Felizes são os que me sorvem em quase plenitude, pois só assim alcançarão meu EU completo, até mais do que eu mesma – poço de bondade que machuca!
Machuco a dor de outrem e faço-o doer.
Dissemina-se a dor.
E sufoco com o prazer que se extrai da dor, não sinto mais dor – sou dormente – agora só prazer. A dor continua doendo, porque sempre se dói, mas é subserviente ao prazer que sinto.

O autor brinca, o autor se dá, desfrute enquanto é tempo.

Um comentário:

Luiz Carlos Reis disse...

Jan, palavras são palavras, veneno da língua, breves, incaltos,léxicos significantes invadindo o cognitivo... suspeito e persuadido.
Que belo texto!
Entre em contato comigo, ok? Abraços!

lucareis@aeiou.pt