
Há tanto desejo que meu corpo tem sede, tanta sede do seu, como um transeunte a vagar num calor de
É um ardor que tanto arde como uma queimadura lívida em água fervente, acidentalmente se excita.
É um ter que não se tem e se atém à forma nostálgica de se amar que não ama
E ferve como o asfalto poluído, num chão fadado e puído, cheio de cara paciência.
É uma nostalgia que constrói cada momento e enfatiza o orgasmo do passado próximo, geme.
E tanto treme, na noite trêmula, que doem os músculos elásticos
E num arroubo de saudade latente, dorme e sonha
Saudade da saúde
Saudade da impaciência e do olhar que cobra e do corpo que pede
Ele pede que deixe
E deixa.
Por um lapso, a um colapso é ao que meu coração se fada
Por um deslize, meu corpo escorrega ao encontro do seu, se entrega
Esvai-se e se dói no drama de uma Brasília alagada de umidade seca
E umedece, sempre molha, mais do que nas chuvas torrenciais, o meu sexo
E não haver tanto nexo, em sugestões retóricas, é o que mais enfeita minha língua, o doce
No calor de uma Brasília seca e pálida, eu, pálida, durmo na chuva da umidade, da Brasília que chove: amor.
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