3 de set. de 2006

Nostalgia















Há tanto desejo que meu corpo tem sede, tanta sede do seu, como um transeunte a vagar num calor de 30 °C nas ruas de uma Brasília seca e pálida;

É um ardor que tanto arde como uma queimadura lívida em água fervente, acidentalmente se excita.

É um ter que não se tem e se atém à forma nostálgica de se amar que não ama

E ferve como o asfalto poluído, num chão fadado e puído, cheio de cara paciência.

É uma nostalgia que constrói cada momento e enfatiza o orgasmo do passado próximo, geme.

E tanto treme, na noite trêmula, que doem os músculos elásticos

E num arroubo de saudade latente, dorme e sonha

Saudade da saúde

Saudade da impaciência e do olhar que cobra e do corpo que pede

Ele pede que deixe

E deixa.

Por um lapso, a um colapso é ao que meu coração se fada

Por um deslize, meu corpo escorrega ao encontro do seu, se entrega

Esvai-se e se dói no drama de uma Brasília alagada de umidade seca

E umedece, sempre molha, mais do que nas chuvas torrenciais, o meu sexo

E não haver tanto nexo, em sugestões retóricas, é o que mais enfeita minha língua, o doce

No calor de uma Brasília seca e pálida, eu, pálida, durmo na chuva da umidade, da Brasília que chove: amor.

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