9 de set. de 2006

De mãos dadas com a solidão















Só. O quarto escuro onde me escondo. Redondo espaço onde o verbo e o cansaço se deixam dominar. Dedo apontado ao infinito e a janela, aberta, que faz entrar o chão e a visão deste luar. Há momentos em que danço, louca, e avanço pouco a pouco pelo sono que se espanta e me traz a liberdade. Desenho no ar a fragrância fresca do metal, e deixo que o ouro me toque a pele para se perder entre o certo e o banal. Quanto pó repousa entre ti e a saudade! Quanta espuma se faz rocha enquanto o grito, aflito, não salta longe da sirene de cristal. Apago a luz e volta a claridade. Finalmente a lua que torna meiga ao regaço, e dorme nua no meigo aperto dum abraço.Silêncio. A negra tela que salpico com a frieza da dor. Homem que amo uma só vez, como a morte, que ataca forte, pausada e lenta, não volto nem minto. Branco céu onde escrevo a minha história, o meu destino. O meu silêncio é assim. Surdo e demente. Louco ébrio no coração da cidade, à procura de amor, calor e crueldade. E, se encontra os gnomos que surpreendem na noite os mais secretos e espantosos esconderijos, faz-se fogo vagabundo, pólen profundo, e, qual cadela vadia, não se deixa nunca seduzir nem apanhar?! É nortada eterna que acotovela a encosta da serra e se desfaz na doca, na boca de prostituta. É o cálido muro que esmurro a cor de sécia mole, e risco com crayon de cera virtual. É a enorme folha branca que me acorda noite fora com pesadelos e falésias, e o terror de morrer entre a espada e o vazio, sem chegar a dizer o grito que em mim encerra. Silêncio. É o nu espaço que habito, que palpito louca de solidão. Teus braços, a poesia onde me deixo perecer, sem perceber.
Embora o texto não me pertença e eu nem saiba qualificar quem o escreveu, devido ao estado de solidão em que não só eu, mas o mundo num sentido lato se encontra, e por achar de grande valia o nobre texto, o deixo aqui para que seja apreciado pelos transeuntes secretos de meu "mar de lamúrias" o lerem...

2 comentários:

Fernando Palma disse...

A solidão as vezes é necessária, util. A qualquer pesoa...
Basta tiramrmos bom proveito dela.

Anônimo disse...

Pois hoje o tenho de companhia.
Uma noite qualquer de primavera fria.
Em que a chuva ainda que fina caía.
e se misturando com meus pensamentos seguia
ia
ia
ia

:)