
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinícius de Moraes)
Não me separei, presumo, pois separada eu já estava...mas num ímpeto de tristeza, resolvi postar aqui um dos meus mais preferidos sonetos...
Mas o refaço em alguns versos...(...) Fez-se do amigo distante o presente (...)
(o nome da imagem é o meu auto retrato: de mãos dadas com a solidão)
2 comentários:
Vou roubar a foto e o soneto.
Beijo de saudade pra você.
De repente, não mais que de repente, fez-se do amigo próximo...teu pilar, eis que de mãos dadas seguiram o mesmo caminho. Agora, tua alma gêmea, sombra do teu ser esperava-lhe sedento por calor, passivo e resoluto...amarias como se fosse a primeira e última paixão de tua vida!
O tempo estava consigo...como o vento está para o mar, o espinho para flôr... A solidão e o amargo da separação, ruins ao paladar da boca...passam com o tempo.
A ode se perpetua em vestes e formas oclusas da paixão...voltas para o caminho, pois sabes que jamais romperia, cederia...e não cedes...cencebes, doa-te até o último suspiro!
Abraços!
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