21 de jul. de 2006

Saúde




















Saúde a saudade!
Saudosa vontade da carne cálida
Do suor e da voz
Querer irracional, feroz
Do dever obtuso desse sábio intruso que me invade loquaz
E me ata, ateia, aquece
E quase ébrio, meu pequeno corpo enlouquece
Saudade tórrida do membro hirto
Saudade cáustica que corrói e lateja
Abissal maldade que é a minha saudade
Da boca dulcíssima que a mim me beija
Extrema e dolor, já quase mata
E todo o meu nó a mim desata
Tenaz saudade da insana vontade
De ferir meu sexo pudico
E lamber minha ferida válida
Saudosa saudade da língua que me desvirgina
O dolo do ardor que a mim contamina
Perpétua se faz
E me retoma
Leva-me à tona
E denuncia minha validade
Dói em todo o meu corpo
O terror que é essa saudade
Que como você, objeto do ardor
Sem pedir nem querer
Só a mim me invade.

2 comentários:

Elenita Rodrigues disse...

Que bonito.... bonito, bonito.
Beijão pra você.

Marla de Queiroz disse...

Tão sensual...
Essa tua poesia direta que diz exatamente o que quer dizer me lembra Hilda Hilst.
Gosto demais do que vc escreve, tanto que fico sem saber o que comentar na maioria das vezes...mas venho sempre. Sempre.
Beijos.