2 de jul. de 2006

O poder da verdade


















O poder que disciplina
A disciplina é o banquete do poder e me poda
Todo o pesar e sentimento disciplina sem poder
Sem poder atingir o alvo
Sem poder resolver o dilema
Sem poder alcançar o amor
Sem poder solucionar o problema
Aquele que encarcera minhas asas de liberdade
Aquele que alimenta o sexo da minha vaidade
Aquela que sinto por seu corpo, meu
Aquela que pertence ao lúbrico desejo, seu
O poder pode disciplinar a verdade ou a verdade disciplina o poder?
O que verte e arde é o pejo do infernal desejo
Eu posso me perder na minha verdade, vontade de perder-me
Eu posso me entregar ao abismo dos seus braços e cair em seu esplendor
Posso agir secamente, cínica e indócil ser só torpor
E doer a dor que mais dói e peleja
E beijar, onírica, ao doce céu que a mim me beija
Ainda mais, ao caos e seus breus
Cair no mar dos seus céus
E morrer amargamente na minha verdade insolúvel
A verdade que disciplina o meu poder ou o meu poder que disciplina a verdade e me disciplina?
O que é verossímil e palpável é o ardor
Aquele que flameja minhas entranhas e minha boca
Aquele que invade atroz a minha mente
A verdade, a real verdade é a minha saudade
Da sua boca no meu sexo quente.

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