5 de mar. de 2006

21 de março

Eu me estranho, me desconheço
Esfacelo os maus sem ais de um recomeço
Não importa quem foi tal, o sal, eu ensandeço
E teu sobrenome, sem pré ou pronome, enlouqueço!
Qual é teu nome?
Qual é tua vida?
Buscaste alma esquecida no mar das almas?
Sangraste da mesma ferida nos seios de mulheres calmas?
De ferida cálida, disfarçaste a sua trôpega e inválida sensação libertina?
De mulher em mulher se desfez em meus braços pudica menina?
E minha pelo segundo foste descompassada
E doce beijou-me como se fosse eu tua amada?
De dor em dor se desfez a minha chama
De antro em antro dormiste a cá em minha cama?
E te despiste, e nua a mim mostraste teu peito lívido
E apareceste imaculado teu coração vívido...
Amante onírica que sempre estás comigo
Pungente e apática...comportada e fanática
Do meu fanatismo, meu maniqueismo
És a profundidade do meu abismo
E do mar de sal
Do caos
sem maus
orquídea ancestral...


Porque a loucura e a negação parecem ser constantes...

2 comentários:

Marla de Queiroz disse...

Eu venho aqui mais do que vc...Fico toda esperançosa de encontrar mais um texto, gosto tanto do que escreves...
Beijos!

Luiz Carlos Reis disse...

Belas e prodígias palavras! Deves sentir a pura essência... num orgasmo lúcido e conflitante de palavras, significados e significantes.
Meus parabéns!

http://oficinacultural.blogspot.com