18 de set. de 2005

Tanto faz...

A solidão é algo que quis e quero
Mas quero estar sozinha-acompanhada
Quero estar vestida-nua
Quero estar certa-errada
Parecem palavras criadas
Parecem coisas feitas para dar certo
Certo no erro de minha complexidade amena
Misterioso na minha sinceridade escarnante
Certeza em meu acerto errante
E eu ser amante de quem não me ama
E ser mais uma, apenas, sacana
E ser alguém sem alma
E ser, das mulheres, a mais calma
E ser afeliz
E ser como nunca quis
Um pequeno ventrioloco
E ser alguém que vomito
Sou lacunas
Sou mares abissais
Sou tudo e nada em mim tão pequena
Sou grande e tudo vale a pena
Um misto de amargo e doce
De fel e mel
De inferno e céu
Comportada, mas devassa
Devassa, mas puritana
Grata e ingrata
Amorosa e odiosa
Num pacote de chicletes
Lá estão as minhas cores
Lá está o meu açucar
Sempre acaba, mesmo quando poupado
Sempre sem culpa, mesmo sendo culpado
E sempre morro, mesmo estando viva
E estou viva, mesmo que tenha morrido por alguns instantes
E minhas aventuras, são causos errantes
São estórias de uma figurante
São fatos de alguém que se esconde
São nada, diante da imensidão das palavras
São tudo, diante dos atos injustos
Sou um pacotinho de erotismo
Sou culpada, sou permissiva
Tanto faz
Sou um tanto faz
Um barquinho abandonado ao caes
A guerra, a paz
O adeus, o jamais, o nunca mais
Eu, o nada mais
Nada mais sou do que nada e tudo
Um serzinho pequeno, pouco conteúdo
Que julga demais e se entrega de menos
Que não tem pais
Que não tem ninguém mais
Que chóra seus ais
A quem não vê, jamais
A sensual, a dos atropelos tais
Claro que o sol vai voltar amanhã
O país é tropical
E é quase sempre ensolarado
Tudo é meio insosso, empapado
Tudo é meio estranho e malogrado
Quando no fundo das coisas, nada importa mais senão o seu próprio gozo
A sua própria aventura
O seu saber extrapolante
Eu sou, nada mais, do que uma aventura errante
Na vida de quem viu milhares de corpos, conhece centenas de corpos, deseja a dezena de corpos, mas ama a um só.

Jan em 27.08.2005 para Ninguém

Nenhum comentário: